Ser wesleyano hoje e suas implicações para a educação cristã

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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Poder sem Limites

CHRONICLE
Elenco: Michael B. Jordan, Michael Kelly, Alex Russell, Ashley Hinshaw, Alex Russell, Anna Wood, Joe Vaz, Matthew Dylan Roberts
Direção: Josh Trank
Distribuidora: Fox Film 
83 min.


Poder sem Limites é um filme curto, divertido porque tem um crescente de ação em boa medida e conta sua história sem barroquismos e enrolações. Tecnicamente é intrigante, pois usa o recurso de câmeras digitais (técnica esgotada desde “A Bruxa de Blair”) com uma explosão de efeitos especiais muito bem cuidados, dando a impressão de realidade ao expectador (apenas bons em “Distrito 9” e “Invasão do Mundo – Batalha de Los Angeles”).
Devemos entender o filme Poder sem Limites na mesma linha de filmes como Harry Potter e Star Wars, só para citar dois exemplos dentre tantos filmes que contam a trajetória de crianças e adolescentes que, descobrindo seus poderes, fazem escolhas para o bem ou para o mal, podendo, com isso, destruir ou criar.
Dois desses jovens (primos) desenvolvem uma amizade que beira à “homossexualidade”, presumida pelo diálogo entre eles, simbólica pela relação intimista que surge em todo adolescente (muito bem observada por Françoise Douto, famosa psicanalista francesa de crianças e adolescentes). Amizade que é abalada pelas escolhas que fazem, tornando-se antagonistas e depois rivais, semelhante ao que acontece com Harry Potter e Tom Riddle (Voldermort) ou Luke Skywalker e Anakin Skywalker (Darth Vader).
Um é altruísta e nerd, chegando a citar filósofos e reflexões que são metalinguagem no filme, ou seja, que indicam do que se trata a narrativa do filme. Dois exemplos são a caverna de Platão e Schoppenhauer, que representam o universo das representações interiores. O outro tem um passado obscuro e cheio de problemas no presente, logo, o poder sobe à cabeça e o seduz, ao ponto do amigo avisar que ele deve tomar cuidado para não “se achar”, isto é, acreditar na sua superioridade, no limite da arrogância. Isso fica claro quando tenta justificar sua escolha para a destruição e morte pela teoria da seleção natural. Assim como Tom Riddle e Anakin Skywalker que mudam seus nomes para uma nova identidade (Voldemort e Darth Vader), Andrew muda seu nome para Hunter (caçador ou predador) porque acredita que é um “predador alfa”, que segue sua natureza selvagem.
A morte de um deles prepara o expectador para o embate final e expressa o quanto o poder exige responsabilidade e, se mal usado, leva a auto-destruição como a destruição dos que estão ao seu redor, geralmente aqueles que você mais ama.
Não precisamos ir mais longe para perceber que o filme é uma metáfora das escolhas que adolescentes e jovens fazem todos os dias. Mesmo que não tenham poderes especiais, potencialmente tem a capacidade de mudar o mundo para o bem ou para o mal, a começar pelo seu próprio mundo. Um jovem é potencialmente um grande criador ou um grande destruidor, alguém que pode tocar o mundo ao seu redor de forma indelével destrutivamente ou construtivamente. Assim fizeram Adolf Hitler, Joseph Stalin ou Augusto Pinochet, tanto quanto Albert Einstein, Charles Darwin ou Nelson Mandela. São apenas dois destinos, múltiplas possibilidades, mas as escolhas são deles.
O diretor, John Trank, disse que seu filme tem uma clara influência de “Akira”, popular mangá japonês de Katsuhiro Otomo, um clássico da cultura cyberpunk, a mesma que influenciou filmes como “Matrix” e “Kill Bill”. “Akira” se tornou um longa-metragem de animação em 1988 e sua história gira em torno de jovens com poderes sobre-humanos, em especial o da psicocinética, o mesmo poder retratado aqui. Semelhante ao que vemos em “Akira”, Poder sem Limites revela a alienação de jovens que, de repente, não sabem o que fazer com tanto poder e se perdem em suas escolhas eticamente capengas. Não a toa vemos em uma das imagens de publicidade do filme a frase “boys will be boys” (meninos serão meninos), isto é, com muito ou poder nenhum, meninos sempre agirão como meninos, faltando-lhes a responsabilidade de agir como homens. Por isso gosto do título original do filme: Chronicle. Todo jovem escreve a sua própria crônica, a sua própria trajetória para o bem ou para o mal.