Ser wesleyano hoje e suas implicações para a educação cristã

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sábado, 2 de abril de 2016

Batman Vs Superman – Dawn of Justice


Batman Vs Superman – Dawn of Justice
Zack Snider - Warner Bros - 2016

Zack Snyder
Snyder, diretor de Man of Steel e agora Batman Vs Superman – Dawn of Justice, é um detalhista estético. Sabe como poucos transpor a arte das HQs para a telona, como fez com 300. Mas, diferente de Christopher Nolan, Snyder muito provavelmente foi influenciado pelos Estúdios a fazer mudanças trágicas em roteiros que deveriam estar sob seu controle. Enquanto Nolan, que trabalhou na produção de Man of Steel, controla em sua direção roteiros enxutos como nos três filmes Batman, O Cavaleiro das Trevas, e Inception (A Origem), por exemplo, Snyder parece ter dificuldade de amarrar de forma convincente todas as pontas que sai lançando em seus longos filmes.
Na verdade, essa “mania” de tentar dizer muito em um filme só, é a minha maior crítica a Batman Vs Superman. Talvez pelo próprio erro da Warner em não seguir um caminho parecido com o trilhado pela Marvel, que construiu o universo Vingadores aos poucos. A enrolação do Estúdio está cobrando um preço alto, pago com filmes “desesperados” e igualmente enrolados.
A primeira metade do filme é de uma lentidão de dar sono. A narrativa é boa, promete ideias a serem evoluídas, mas demora a sair do conflito para a sua resolução. Para piorar, são muitos filmes em um só, são muitas “teses” e personagens para dar conta em uma só película. Quem assiste sai confuso.
Uma coisa gosto de Man of Steel e Batman Vs Superman: resistem em seguir a cartilha adolescente dos filmes da Marvel. Não caíram na tentação das cores chapadas e dos clichês das piadinhas.

Batman
Precisava daquela digressão para apresentar, de novo, a origem do Batman? Precisava. É chata, mas precisava. Precisava porque se trata de um reboot, já que não é o mesmo Batman de Christopher Nolan. E precisava porque nem todo mundo acompanha a mitologia de Batman nas HQs; os “civis” precisam desse gancho. Ainda bem que foi uma curta digressão, com algum drama que conecta o personagem ao seu arquétipo noturno e ctônico.
O que não deu para engolir foi um Lex Luthor (Jesse Eisenberg num “overacting” sem necessidade) enganando tão facilmente o “investigador” Batman. Aliás, sem superpoderes, o que mais se destaca do homem morcego é justamente a sua capacidade de usar a inteligência para antever os passos de seus inimigos. Por isso, é pouco crível a motivação de Batman para desafiar o Superman apenas por causa de um estratagema de Luthor.

Superman
Interessante um Superman ainda se adaptando às idiossincrasias dos seres humanos. Mas precisava ser tão insosso? Parece perdido a maior parte do tempo, precisando de um colo a cada crítica que recebe da população. Bem, algumas mulheres devem ter achado sexy essa necessidade de colo, o que me leva a suspeitar que é caso pensado um galã musculoso querendo uma esposa/mãe.
Aliás, até quando esse Superman vai ficar grudado na barra da saia de sua namorada? Desde o primeiro filme, Man of Steel, Lois Lane tem um papel que deixa dúvidas sobre a sua longevidade, afinal humanos morrem. Por outro lado, tenho outra suspeita, aquilo que não ficou muito claro no primeiro filme, isto é, sobre o constante apoio de Lois, agora, neste filme, tem uma finalidade baseada em um princípio feminino que vamos explorar logo em seguida.

Hans Zimmer
Confesso, eu sou um “fanboy” das trilhas de Zimmer. Não é só porque fez trilhas sonoras de filmes icônicos (O Rei Leão, Batman o Cavaleiro das Trevas, Inception, Gladiador etc), mas porque suas invenções influenciam outros compositores que tentam copiá-lo.
Em Batman Vs Superman, Zimmer não inovou. Não precisava. Ele foi o compositor de Batman – O Cavaleiro das Trevas e também de Man of Steel. Foi só juntar e agregar a genialidade de Junkie XL (Mad Max – Fury Road e Deadpool). Mais importante: Zimmer traduz as almas em conflito dos heróis. Logo, não é uma trilha com sonoridade triunfante e nem de lamento.

Arquétipos
Existe uma subtrama que infelizmente não foi bem explorada pelo roteiro, a dos arquétipos. Mas, a meu ver, é a trama que melhor define a identidade dos personagens. De um lado, o Superman, expressão do arquétipo heroico, da divindade salvadora, que veio para o mundo para trazer a “apocatastasis”, isto é, a restauração do ser humano tirando-o de sua perdição. Impossível não ver aqui a repetição de uma mitologia mosaica ou cristológica.
Do outro lado, o Batman, símbolo da humanidade mística, embrenhada nas contradições entre trevas e luz, bondade e maldade, sem os “maniqueísmos criptonianos”.  Apesar de ser também um herói, para Bruce Wayne a realidade é cheia de armadilhas catamórficas (símbolos de queda) e nictomórficas (símbolos da noite). O Superman deve ter alguma sombra, uma mancha, algo que revele que ele sangra e, portanto, cai.
O cenário remete às velhas e sábias lições das polaridades complementares, tão bem exploradas no prólogo “gnóstico” joanino, da luz que encontra a realidade das trevas. Não, entretanto, suficientes para que, no embate entre poderes, traga o apocalipse, o fim. Não por acaso essa função fica para o personagem Apocalypse, que faz Superman e Batman acordarem de seus “sonos dogmáticos”.

O princípio feminino

Evoco notar o papel das mulheres que, juntas (Lois, mãe de Batman e de Superman, Mulher Maravilha), formam um fio narrativo que vai tecendo um princípio feminino que sugere expressões e símbolos maternos, protetores e embasados na ternura. E, antes que alguém diga, não estou afirmando um rótulo para as mulheres e nem o papel que elas devem desempenhar. Trata-se tão somente de um princípio ancestral de nossas culturas humanas, inalienável e sempre latente em discursos e narrativas como em obras cinematográficas. Se dois brutamontes não se resolvem, só conhecem o conflito e o embate, coube a esse princípio feminino por em movimento o drama que está instaurado na origem dos dois heróis. Mulheres que ao seu modo, em sacrifício eminente, negaram a fatalidade apocalíptica e resgataram nesses heróis a atitude messiânica para onde convergem Deus e Homem. Será que é por isso que elas, juntas, na cena da morte do Superman, acolhem em seus colos o Deus morto como o Cristo da Pietá? Se é isso, não devemos nos surpreender pela ressurreição.

domingo, 11 de janeiro de 2015

"Êxodo: Deuses e Reis" - Moisés demitologizado





Se “Êxodo: Deuses e Reis” fosse apenas mais um filminho “caça níqueis” de qualquer diretor desconhecido, contratado por encomenda por alguma grande produtora, eu não acreditaria se me dissessem que ele foi dirigido por Ridley Scott. Diretor de “Blade Runner”, “Alien”, “Gladiador”, “Hannibal”, só para citar alguns, Scott teria cacife suficiente para comandar um filme épico sobre Moisés e a libertação dos hebreus. Não teve!
Cinema
Eu não sou um especialista para emitir com alguma autoridade conhecimentos técnicos sobre como fazer cinema. Mas, dá para “arranhar” uns palpites e outras coisinhas que ouvi por aí, de gente que conhece.
Ponto positivo do filme, e isso não precisa ser técnico para perceber, foi a produção. Gastaram bem o dinheiro que deveria fabricar a sensação de estar no antigo Egito. Os efeitos especiais são impressionantes, e Scott, da velha escola do cinema, não confiou em cenários apenas feitos em C.G. Havia realidade na tela.
Pontos negativos, que são muitos. Relato só alguns. Primeiro: o roteiro parece se perder em diálogos óbvios e o ritmo é de dar sono. Em alguns momentos o tédio me pegou e eu juro que cometi o imperdoável pecado de fechar os olhos de tanto constrangimento. Quando conflitos surgiam, Ridley Scott deu um jeito de amenizar e não prosseguiu com algumas tensões que poderiam dar boas viradas.
Segundo: pelo que sei, Ridley Scott é um dos únicos diretores de Hollywood que se dá ao luxo de fazer os cortes finais em seus filmes, sem interferências dos produtores. Mas o que foi aquilo? Será que o editor estava de ressaca? Cenas, personagens e diálogos entravam e saíam de cena sem nenhuma explicação. O filme está todo picotado. Eu perdi sequências inteiras tentando entender onde as coisas se encaixavam. Seria Scott tentando imitar Tarantino?
Terceiro: é um filme com personagens fantasmas. Existe um conflito entre Moisés e Ramsés e, de vez em quando, um conflito entre Moisés e Deus. De resto, é resto mesmo. Foram subaproveitados bons papéis como o de Josué e de Aarão, que na narrativa de Êxodo são essenciais. Na verdade, desapareceram. E Sigourney Weaver? Uma atriz como ela sem nenhuma utilidade?
Quarto: É um Egito de brancos anglo-saxões. Poucos negros, geralmente serviçais da elite governante. Por ouro lado, também pudemos ver brancos distribuídos entre os hebreus escravos (centenas de milhares). Problema menor, portanto.
Religião
Bem, aqui é a parte em que eu tenho que dar a “carteirada”. Afinal, pelo menos, as décadas de estudos teológicos e pesquisas em religião, devem valer alguma coisa.
Batida, com alguns milênios de idade, acho difícil dar “spoiler” da história mais conhecida do livro de Êxodo. Livro que foi ignorado por Ridley Scott, em troca de sua visão tosca sobre religião. Digo isso porque tenho um palpite: Scott quis contar a história de Moisés sob um ponto de vista naturalista, isto é, como seria a história se anulássemos os elementos místicos e míticos. E ele conseguiu! E por isso ficou uma história insossa, sem recheio, sem atrativos. Se pelo menos Scott tivesse atualizado e adaptado a história para uma crítica política e religiosa sobre as intolerâncias e xenofobias, já daria para o gasto. Mas não, preferiu dar a sua versão racionalista sobre uma saga que perde totalmente o seu sentido quando demitologizada. Tanto que só foram exploradas as pragas do Egito que pudessem ter explicações causais, “científicas”. E não consigo ver senão como piada um cortesão tentando explicar cientificamente as tais pragas.
Outros filmes nos ensinaram que narrar uma história exatamente como deveria ter sido, é um “tiro no pé”. Vide “As Aventuras de Pi”, “Peixe Grande”, “A Vida é Bela”. Filmes que nos encaminham a acreditar que a busca de sentido em meio à tragédia é maior do que a crueza da própria tragédia. É uma questão de sobrevivência, de não enlouquecer. Que digam os judeus que, depois da desgraça do exílio babilônico, não tinham outra alternativa senão contar a sua historia, incluindo a de Moisés, a partir de seu umbigo. Razão pela qual nada sabemos sobre esse personagem chamado Moisés, a não ser o que está na Bíblia. É pouco. A crítica bíblica mais polêmica e impopular, já deu sinais, desde o século XIX, que Êxodo conta aquilo que o povo hebreu quis contar. Não sejamos ingênuos, a Bíblia não é um livro de História.
Por isso, sem as pitadas místicas e os sentidos míticos, nenhuma história de religião vale a pena ser contada. As da Bíblia muito menos. Não interessa se Moisés pode ou não ser comprovado historicamente. Tirar dele o cajado, a grandiosa abertura do Mar Vermelho, os conflitos de sua personalidade com seus interlocutores, inclusive com Deus, só apequena a narrativa. Fazer de Moisés um “esquizofrênico”?
Se quer demitologizar e desmistificar, que ao menos dê um sentido existencial para a história. Algo que teólogos da envergadura de Karl Barth, R. Bultmann e Paul Tillich tão bem fizeram. Ou, para ficar no campo do cinema, fizesse como Daren Aronofsky, diretor que, para realizar o filme “Noé”, pesquisou e foi além da Bíblia, com boas inserções dos livros de Enoque.
Não esperava ver “Os Dez Mandamentos” de Cecil B. DeMille, ainda que seja difícil não comparar. Mas esperava um pouco mais de respeito com as fontes. Como um livro de religião, tirar o fundamento religioso do livro é, no mínimo, imperdoável e, no máximo, para “Êxodo: Deuses e Reis”, passível de ser esquecido.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Levantamento das Competências na Docência (LCD)

O instrumental abaixo foi desenvolvido entre os dias 17 e 18 de julho de 2014. Ele serve apenas como uma ferramenta de diagnóstico simples e sensibilização sobre as competências básicas que um professor deve desenvolver e cultivar no exercício da docência. Razão pela qual utilizamos a Escala de Likert seguindo o padrão de resposta "PRIORIDADE".




Levantamento das Competências na Docência (LCD)*

Sabendo que o(a) professor(a) não pode ensinar conhecimentos que não domina e desenvolver competências e habilidades que não possui, nosso objetivo é fazer um levantamento breve dessas competências e habilidades que os(as) professores(as) consideram PRIORITÁRIAS para o exercício da profissão docente em sua disciplina. Lembre-se de que algo prioritário significa tão somente eleger, dentre muitas possibilidades, aquelas coisas que você considera mais importantes em um determinado momento. Portanto, indicar a prioridade em algumas competências e habilidades, de forma alguma significa a negação de outras competências e habilidades, uma vez que o levantamento tem caráter geral e não se trata de um diagnóstico absoluto e empírico sobre as virtudes ou deficiências do(a) professor(a).

Leia cada uma das assertivas e assinale a opção que indica a competência/habilidade que você considera PRIORITÁRIA NESSE MOMENTO para o bom desenvolvimento docente em sua disciplina.

Nenhuma Prioridade
Pouca Prioridade
Indiferente
Prioridade
Muita Prioridade
1
2
3
4
5

ASSERTIVAS
1
2
3
4
5
1.       Prevenir e gerenciar a disciplina dos alunos em sala de aula.





2.       Motivar os alunos a participarem das aulas.





3.       Avaliar a aprendizagem de forma eficaz.





4.       Ensinar a partir da realidade e das representações dos alunos.





5.       Saber mostrar o quanto a realidade é heterogênea.





6.       Saber lidar e sensibilizar contra o preconceito.





7.       Valorizar e incentivar hábitos de auto cuidado, auto estima e de respeito ao próximo.





8.       Valorizar a diversidade na igualdade.





9.       Desenvolver projetos culturais e interdisciplinares com os colegas.





10.   Considerar as opiniões e as contribuições dos alunos ao propor atividades de ensino.





11.   Ofertar atividades alternativas de formação aos alunos.





12.   Promover atividades culturais e temas transversais.





13.   Identificar, pesquisar e discriminar recursos teóricos referentes à sua disciplina.





14.   Estudar e aplicar novos conhecimentos de sua disciplina.





15.   Buscar novas informações e estudos relacionados aos conteúdos de sua disciplina.





16.   Contextualizar a sua disciplina em diferentes situações-problema.





17.   Julgar, produzir e utilizar materiais e recursos para fins didáticos.





18.   Elaborar e saber utilizar a avaliação como ferramenta de aprendizagem.





19.   Incentivar e desenvolver projetos educacionais com os alunos.





20.   Buscar e gerenciar a própria formação contínua.





21.   Pesquisar e utilizar materiais de apoio inovadores.





22.   Saber manipular e atribuir fins pedagógicos a artefatos tecnológicos.





23.   Utilizar brinquedos, jogos e outros objetos educacionais.





24.   Conhecer, saber utilizar e atribuir valor educativo para a internet e para as redes sociais.





25.   Gerenciar conflitos e saber prevenir a violência.





26.   Mobilizar grupos e elaborar projetos em equipe.





27.   Negociar com alunos diversos tipos de acordos e contratos em equipe.





28.   Desenvolver a capacidade de colaboração entre os alunos e o trabalho em grupo.






Para obter a média de cada competência, some e obtenha o total para cada 4 assertivas. Veja o exemplo abaixo:

Assertiva 1 = valor 2
Assertiva 2 = valor 4
Assertiva 3 = valor 5
Assertiva 4 = valor 5
      Total    =        16




Assertivas 1-4 = __________

Assertivas 5-8 = ___________

Assertivas 9-12 = __________

 Assertivas 13-16 = __________

Assertivas 17-20 = __________

Assertivas 21-24 = __________

Assertivas 25-28 = __________




O Levantamento das Competências na Docência (LCD) é baseado nos artigos 12 e 13 da LDB (Lei nº 9.394/96), mas, principalmente, na Resolução CNE/CP 01/2002, que institui as Diretrizes Curriculares para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica. Nestes documentos observamos pelo menos 7 competências inerentes à formação para a atividade docente.

  1. o ensino visando à aprendizagem do aluno;
  2. o acolhimento e o trato da diversidade;
  3. o exercício de atividades de enriquecimento cultural;
  4. o aprimoramento em práticas investigativas;
  5. a elaboração e a execução de projetos de desenvolvimento dos conteúdos curriculares;
  6. o uso de tecnologias da informação e da comunicação e de metodologias, estratégias e materiais de apoio inovadores;
  7. o desenvolvimento de hábitos de colaboração e de trabalho em equipe.


Referências Bibliográficas

BRASIL. Lei 9394/96, de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, 1997. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil/LEIS/L9394.htm
BRASIL. MEC/CNE. Parecer 009/2002 e Resolução CNE/CP 01/2002, que institui as Diretrizes Curriculares para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica, em cursos de nível superior. Brasília, 2002.
BRASIL/CNE. Resolução CNE/CP no. 1. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Pedagogia, licenciatura. Brasília, 2006.
DIAS, Rosanne E.; LOPES, Alice C. Competências na formação de professores no Brasil: o que (não) há de novo. In: Educação & sociedade. Campinas. vol. 24, n° 85, p. 1155-1177, 2003.
*Instrumental elaborado por Rogério Carvalho – Doutorando em Educação (USP); Professor da Faculdade Metodista Livre e Assessor Pedagógico da Editora Brasil Cultural (uso permitido desde que citada a fonte – 07/2014).