Ser wesleyano hoje e suas implicações para a educação cristã

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sábado, 19 de julho de 2008

Política e polícia

David Hume, filósofo escocês e empirista do século XVIII, estudioso da história a da política inglesa, tornou-se notório pelos conceitos que criou para compreendermos como se dá o conhecimento humano. Para ele, o conhecimento é baseado em um princípio que ele chamava de princípio da causalidade. Simplificando, nossa “mente” interpreta as experiências que temos a partir das memórias das experiências anteriores, ou seja, a partir de um hábito de causa e efeito. Por exemplo, se o pneu de um carro furar (efeito), imediatamente fazemos uma lista mental das múltiplas causas possíveis (prego, parafuso, defeito de fabricação, problemas com a válvula, etc.). Todas as causas são baseadas em experiências passadas da nossa memória ou da memória dos outros. Mas, igualmente, todas elas são baseadas em crença, pois todas, sem exceção, são possíveis. Para dirimir a dúvida, Hume, como bom empirista, advoga o princípio da verificação ou, no caso do pneu, verificar a causa verdadeira em um borracheiro. Verificada a causa real, as outras elencadas são anuladas.

Em parte, com esse hábito, o conhecimento ganha um padrão para interpretar as novas experiências sem grandes sustos ou novidades. Por outro lado, esse hábito nos conduz a “acreditar” que o mesmo modelo de interpretação de uma experiência, serve para todas as experiências, o que pode, em algum momento, ser equivocado ou falso. Isso ocorre principalmente quando a nossa mente faz associações entre eventos parecidos. Utilizando novamente o exemplo do pneu, se o furo é provocado por prego no primeiro dia, também por prego no segundo dia, no terceiro, quarto, quinto, até o décimo dia, nossa mente vai associar ou ligar um evento com o outro e, se o pneu furar de novo no décimo primeiro dia, automaticamente, interpretaremos como sendo prego mais uma vez. Porém, a verificação pode revelar que não foi prego nesse dia, mas um parafuso. Logo, a mente cria um padrão para explicar o pneu furado que, em um determinado momento, pode não funcionar.

Com o hábito de associar eventos aparentemente semelhantes, Hume apontou como podemos nos equivocar em muitas situações. Numa situação como um pneu furado tantas vezes, nada a temer, a não ser acreditar que estamos passando por uma grande onda de azar. Mas, no caso de situações e eventos que envolvam vidas e experiências perigosas, acreditar que uma mesma causa explique o efeito atual, pode gerar um padrão que, sem verificação ou informações mais claras, invariavelmente redunda numa tragédia.

É por isso que Hume era muitas vezes visto como um pessimista, um cético de “carteirinha”. Não gostaria de ser pessimista como ele, porém, se o pessimismo é necessário para ser realista, advogo o tal. Disse em outras ocasiões e reintero: o país acabou de iniciar a sua redemocratização e, possivelmente, nossa geração não irá ver um país muito diferente. Não é um exercício de vidência, tão somente um exercício de leitura da repetição, seguindo a linha do bom ceticismo escocês. Essa canalhisse escancarada em nosso país, não é nova e nem será a última. Faz tempo que a política é uma experiência eterna de "dejá vu", de novela que já vimos. Mas não é só a política, senão a maioria de nossas instituições está fadada ao vício, ao hábito maldito. Ou achamos mesmo que é a primeira vez que banqueiros penhoram o país e a polícia mata inocentes?

Depois da notícia da morte de João Roberto, irmão e mãe metralhados dentro de um carro no Rio de Janeiro, comentei com meus alunos que não foi "erro" ou falta de treinamento da polícia. Não acredito, sinceramente, que ela esteja despreparada ou destreinada para fazer uma abordagem daquela. Ora, qualquer menino de 9 ou 10 anos que jogue vídeo-game sabe quando e em quem deve “atirar”, sem nenhum treinamento. O que possivelmente ocorreu é que a polícia já fazia esse tipo de abordagem (eu mesmo presenciei uma faz um mês em um município do interior do Estado de São Paulo) e, até aquele momento, estava "dando certo". Dessa vez não deu. Diante de um Estado despreparado a polícia teve que se "reinventar" e precisou criar um padrão de "esquadrão da morte" para enfrentar uma bandidagem preparada e organizada. Mate-se primeiro e depois se averigua. É uma ação baseada na crença que, por sua vez, vem da repetição, da memória de experiências anteriores. Não há verificação, não há exercício cético, de questionamento. Numa ação que exigia rapidez, se fez o que estava à mão, ou melhor, se fez a partir do que estava na cabeça. Possivelmente não foi a primeira vez que esses policiais fizeram isso. Daí que a culpa não pode recair apenas sobre eles.

Gostaria de ter minha boca calada, minha língua queimada e ter errado feio, mas, eis que na semana seguinte um administrador, refém de seqüestro, é morto com abordagem semelhante. Na seqüência, vem a enxurrada de notícias parecidas. Gostaria que o caso do menino fosse exceção, mas para nosso desespero, e desespero da família do administrador, é regra. Como nos casos repetidos da política, assim como nos casos da polícia, veremos todos os dias a repetição das notícias, das catástrofes, da dor, da morte (existencial ou real) por encomenda. E, só por curiosidade, alguém já se perguntou por que quando sai uma notícia que vende bem, logo em seguida aparecem outras semelhantes? Não são novidades, estavam apenas esperando sair no jornal, na mídia. A política não é novidade, a polícia também não. A repetição do mau hábito é a regra. O padrão é estabelecido por baixo, pela mediocridade. O padrão de policiamento e da política do país, mexidos no mesmo caldeirão da incompetência, resultam no veneno mais amargo e mortal que poderíamos beber.

Não me assusto mais. Fico com a reflexão de Karl Jung (Memórias, sonhos, reflexões. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995. "O incesto e as pervesidades não representavam para mim novidade dignas de nota (...). Pertenciam, como a criminalidade, ao resíduo negro que estragava o gosto da vida, pondo-me diante dos olhos, com demasiada nitidez, a fealdade e estupidez humana. Que couves tirassem seu viço do esterco era para mim um fato natural. Não encontrava nisso qualquer esclarecimento confortante. Só as pessoas da cidade parecem ignorar tudo acerca da natureza e do estábulo humano (...)".


sábado, 24 de maio de 2008

Como fazer uma resenha

Muitos de meus alunos de Metodologia da Pesquisa Científica me perguntam porque alguns professores lhes pedem uma resenha crítica (sic). Outros exigem um resumo crítico, quando querem dizer uma resenha. Bem, suspeito que não seja só um problema de metodologia, senão um problema de instituição. É que muitas instituições de ensino parecem ter algum trauma com as normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), que normaliza ou dispõe as regras para todo trabalho de cunho científico. Compreendo que as intituições educacionais queiram uniformizar seus trabalhos, mas por que não seguir uma norma que já existe em vez de inventar uma que o aluno terá que procurar? E o aluno que estudou ou estuda em mais de uma intituição? Aliás, nas normas da ABNT não existe uma "resenha crítica" com o sentido que alguns professores querem dar, ou seja, um resumo com a crítica do aluno.
Resenha não é uma tarefa das mais fáceis e, geralmente, são encomendadas para serem feitas por especialistas da área da obra que deve ser resenhada. Não são leigos e muito menos simples curiosos. São pesquisadores, mestres, doutores e gente que há muito tempo estuda e lê sobre aquele determinado assunto. Claro que a encomenda pode ser pedida para qualquer um. Mas, isso já não é um problema de metodologia e sim, novamente, de intituição, invariavelmente pouco profissional.

Logo, esse não é um trabalho que deveria ser exigido de um aluno de graduação, pois ainda não possui habilidades técnicas para tal tarefa. A não ser se o aluno for muito bem informado e receber oficinas junto aos seus professores de como fazer uma resenha, isto é, um problema de método. Mesmo assim, não se pode cobrar muito de alunos que apenas agora estão tendo o primeiro contato com os métodos para uma boa redação.

De qualquer modo, se a insistência continua, me proponho a colaborar com algumas dicas.


Toda resenha é composta por 3 partes:

Parte 1
O cabeçalho deve conter basicamente o nome do autor, o título da obra, local, editora, data, edição (só a partir da 2ª) e o número total de páginas.


Ex. Rosino Gibellini. A teologia do século XX. São Paulo: Loyola, 1998, 560 pág.


Você deve descrever as informações biográficas (vida) e bibliográficas (outras obras do mesmo autor) essenciais que puder obter sobre o autor da obra que está sendo analisada.
Muitas vezes você pode obter essas informações na contra-capa do livro ou nas orelhas do livro.
Outra fonte pode ser achada na apresentação do livro, ou, às vezes, na introdução.
Procure também na internet utilizando uma boa ferramenta de pesquisas (Google por ex.).

Cristina Rocha é uma das mais engajadas e qualificadas pesquisadoras do Budismo no Brasil e seu livro a respeito do Zen em seu país natal, baseado em sua tese de doutorado concluída em 2003 pela University of Western Sydney, Austrália, é um sumário dos resultados de seus vigorosos estudos de campo sobre o tema.


Parte 2
Nessa parte você deve mostrar ao leitor como a obra foi estruturada e, principalmente, apontar em poucas palavras, qual é a tese do autor - seu argumento ou afirmação central (você pode usar as palavras do próprio autor entre aspas).


De acordo com a introdução, o corpo principal da publicação é composto de cinco capítulos que representam “fundamentalmente um estudo sobre quanto o discurso da modernidade influenciou historicamente um segmento da sociedade brasileira (...) a adotar o Zen como um símbolo do ‘moderno’” (p.3). Os dois primeiros capítulos estabelecem os aspectos constitutivos da emergência e difusão do Budismo japonês no Brasil. Os capítulos três e quatro dissertam sobre as manifestações, as circunstâncias sócio-históricas e religiosas nacionais, assim como o contexto global do Budismo em geral e, em particular, do Zen no Brasil. Observando que “a adoção do Budismo em países católicos (...) deve ser diferenciada de sua adoção nas nações protestantes” (p.7), a autora, no último capítulo, coloca a questão central da obra, qual seja: como o Brasil foi “crioulizado” e como as conseqüências disso refletem as condições específicas do assim chamado “maior país católico do mundo”.


Em seguida, deve fazer um resumo dos capítulos da obra.
Proceda apontando em cada capítulo qual é o argumento principal e faça um pequeno resumo (pequeno mesmo).
Em cada capítulo você pode destacar de algumas páginas da obra aquilo que mais lhe chamou atenção ou que confirma ou contradiz o argumento central.


O primeiro capítulo traz um cenário dos pré-requisitos formais e políticos para o processo de imigração japonesa para o Brasil (assim como dessa imigração em si), incluindo as circunstâncias sócio-culturais para o estabelecimento de instituições religiosas nipônicas especialmente após a Segunda Guerra Mundial - momento de reação à decisão da maioria das famílias de não retornar a seu país de origem. Focalizando ainda o “emissor” como um elemento-chave para a transplantação e adoção do Zen no Brasil, a autora também relembra seus leitores da importância da Escola de Quioto para a compreensão recente e predominante do Zen como uma prática religiosa.

O capítulo três trata das condições para a aceitação do Zen em um país normalmente estereotipado como a maior nação católica do planeta e, ao mesmo tempo, conhecido por suas origens multi-étnicas e pela predisposição ao sincretismo. Tomando por base o resultado do censo de 2000, a autora conclui que, ao se levar “esse complexo, plural e permeável universo” em consideração, “não é surpreendente que o Zen Budismo tenha encontrado seu lugar no país”. (p.95) Para Cristina Rocha, um importante fator nesse processo é o constante declínio do Catolicismo oficial nas últimas décadas.

Baseado em argumentos de teóricos como Le Goff, Bourdieu e Featherstone, o quarto capítulo focaliza a imagem pública do Budismo criada por filmes, manchetes de revistas e jornais e seus efeitos ambíguos sobre o público brasileiro. Incontestavelmente, a freqüência com que o Budismo foi mencionado na imprensa ampliou o conhecimento comum sobre a religião que é geralmente associada “a valores como a não-violência, paz interior, compaixão, igualdade, justiça, amor, felicidade e harmonia” e considerada um “antídoto para o stress e a violência dos centros urbanos brasileiros”. (p.152)

Parte 3
Nessa parte você deve fazer a crítica da obra.
Aponte os pontos fortes e fracos nos argumentos desenvolvidos nos capítulos.
Verifique se o argumento central foi devidamente confirmado pelos capítulos.
Se ocorrer, indique falha de impressão, edição, paginação, tradução etc.
Compare a obra com outras do mesmo autor e com obras de autores diferentes que trataram do mesmo tema.
Aponte diferenças e semelhanças entre as obras.
Mostre a contribuição acadêmica dessa obra.
Se necessário, mostre as contribuições práticas dessa obra.
Jamais faça ataques pessoais ao autor.
Não seja simplório: livro bom, ruim, chato etc, não desqualificam uma obra.
Exemplo abaixo:

Um aspecto crítico secundário diz respeito à ambigüidade do título. As informações apresentadas ao longo do livro pela autora, incluindo muitos exemplos, transcendem o foco explicitamente indicado, uma vez que se referem ao Budismo brasileiro em geral ou a outros segmentos do Budismo japonês, especialmente o Budismo Shin (conforme, por exemplo, p. 164 e p. 176). Essa inconsistência pode confundir um público particularmente interessado no Zen-Budismo; pode, porém, se tornar uma vantagem para leitores envolvidos no estudo do Budismo no Ocidente em todas as suas facetas.

O mais importante para uma avaliação do livro são os seguintes três aspectos:
Inicialmente, a autora reiteradamente confirma que existiu um “Boom Zen” no Brasil. Enquanto é óbvio que o Budismo, nele incluído o Zen, ganhou alto grau de visibilidade junto à sociedade brasileira e goza de uma imagem pública consideravelmente positiva, há uma dramática diferença entre essa (pode-se dizer assim) “popularidade superficial” e a relevância estatística dos brasileiros que se declararam budistas.
Um segundo aspecto crítico guarda relação com o leitmotif do livro, de que a adoção do Zen no Brasil decorre de uma “busca pela modernidade cosmopolita”. Isso faz sentido, mas o que se perde é uma operacionalização do conceito de “modernidade” no contexto dado e a explicação sobre como o Zen, em particular (ou melhor, o Zen “crioulizado” segundo as condições da cultura brasileira), supre essa alegada busca.

Seria a hipótese da autora plenamente compatível com uma religião freqüentemente caracterizada como “anti-intelectual” – e, como tal, valorizada por integrantes da contracultura em oposição aos cânones da sociedade “moderna”? Em que grau a retórica da contracultura foi mantida pelos zen-budistas brasileiros não-afiliados ao pequeno círculo de intelectuais que freqüentavam o templo Busshinji nos final dos anos de 1950 e na década seguinte, e que “consideravam o seu conhecimento do Zen não como uma forma de resistência cultural, mas fundamentalmente como uma ferramenta que lhes permitia demonstrar seu papel na sociedade brasileira como tradutores e intérpretes de movimentos internacionais de vanguarda, assim como sua posição de prestígio como cosmopolitas?”. (p. 73)

Por fim, mas não menos importante, a meta programática de analisar a adoção do Zen em conformidade com a categoria “crioulização” não é satisfatoriamente alcançada. As (não mais do que) cinco páginas da conclusão (pp.193-198), nas quais poderíamos encontrar um resultado final da relevante discussão, são insuficientes para esclarecer o tema.

Independente das críticas acima, “Zen in Brazil” é uma obra importante, esclarecedora e estimulante sobre um assunto muito pouco conhecido. Sua leitura é recomendada para todos os interessados no Budismo no Ocidente e, em especial, para todo pesquisador brasileiros engajado no estudo da dinâmica religiosa de seu próprio país.

Alumbramentos

(Alumbramentos - Brasil, 2002)

Gênero: Ficção
Duração: 20 min
Direção e Montagem: Laine Milan
Roteiro: Marcelo Esteves
Fotografia: Mauri Nicolotti
Direção de arte: Maria Emilia Aguiar
Edição de Som e Som Direto: Cristiano Scherer
Música original: Célio Balona
Direção de Produção: Sergio Melo
Produção Executiva: Carlos Wagner La-Bella
Coordenação de Produção: Bianca Loretto Cia. Produtora TVi - Televisão e Cinema
Elenco Principal: Leandro Waltrick de Melo e Tina Rinaldi, Participação Afetiva: Paulo José




Dizem que macaco velho não mete a mão em cumbuca. Mas tenho cá minhas suspeitas; já vi um monte de “primatas humanos” metendo a mão em cumbuca. Agarram a sua banana e não largam, mesmo diante do perigo de morte.
Acho que o ditado na verdade ilustra muito bem os vícios de alguns e a teimosia de outros. Vícios como repetição de um erro e teimosia como insistência no mesmo erro.
Charles Darwin, se estivesse vivo, ficaria corado ao perceber que os primos-homens dos macacos às vezes se demonstram mais ajeitados e adaptados ao provérbio.
Falando em Darwin, além da lição naturalista que ele deu com a sua teoria da evolução, contribuiu muito com outras áreas do conhecimento, inclusive aquela que demonstra como tanta gente, e nem é preciso esperar séculos, jamais conseguiu evoluir, nunca alcançou um mínimo de progresso no modo de pensar, mesmo quando o assunto é o próprio Darwin, pois ainda há os que acreditam que a sua teoria afirmou que o homem se originou do macaco. Senso comum à parte, os “intelectualóides” que precipitadamente citam esse mote antropogônico geralmente se dão mal e acabam confirmando de outro modo a teoria do naturalista inglês: alguns evoluíram, outros não.
Mas vamos ao ponto onde realmente quero chegar, pois a digressão acima revela o quanto já protelei falar do assunto para não ofender o meu leitor. Mas como não há outro jeito macacada, vamos ao que interessa.
Pulando para o galho logo ao lado, confesso que eu mesmo já me fiz muitas vezes de macaco teimoso e vicioso no que diz respeito às palavras. Como alguns dos leitores, eu também tinha uma certa aversão por consultar dicionários. Não, não era só preguiça. Como já disse, e repito, era vício e teimosia. Pensava: “leio, mas tem que ser fácil.” Odiava quem escrevia difícil, sem ter muita consciência de que não eram os textos difíceis, mas a minha pobre mente desnutrida que não possuía um vocabulário suficiente. Alimentada por gibis e televisão, como poderia entender um texto básico, uma simples narrativa literária? Eu era prova pura da “teoria da involução”.
Acreditar que eu não era o único nesse planeta dos macacos mentecaptos não me satisfazia, não fazia me sentir solidarizado. Pelo contrário, já na adolescência comecei a experimentar os meus primeiros alumbramentos com as palavras, achadas entre as poeiras e páginas velhas dos livros da biblioteca do Centro Cultural São Paulo. Descobri “o universo”, encantei-me com a possibilidade infinita de conhecer; fiquei fascinado com o labirinto borgeano que se me abriu diante dos olhos.
Borgeano? Mas que diabo é isso?, deve estar se perguntando o leitor. Calma, a ansiedade mata e a paciência é virtude. Espere até o fim do texto, pois texto é contexto: problema para os leitores apressados que gostam das idéias mastigadas, semelhantes às papinhas para bebês.
Eu sei, as palavras nem sempre são muito amigáveis, às vezes elas tornam-se nossas adversárias e travam conosco uma luta inglória, nos fazem perder tempo. Mas descobri um aliado, um forte e vigoroso aliado: o dicionário. Daí a conquistar uma turma de amigos vitaminados foi um passo: comentários, artigos, enciclopédias, textos críticos, manuais etc. Não perdi mais luta. Pensando melhor, na luta-leitor ganhei quase todos os assaltos, só agora na luta-escritor é que ando apanhando bastante. Mas uma coisa aprendi: leitor ou escritor, a amizade é fundamental; não larguei mais os meus fiéis amigos filólogos e transformei-me em um grafômano. Bem, pelo menos tento.
Largando um pouco o galho que outrora estava sentado, pulemos para o galho de alguns dos meus missivistas navegantes. “Interneteiros” de carteirinha, outros nem tanto, acusaram-me de difícil, de barroco. Vi nisso elogio, e quem dera alguém dissesse que estava chegando à beira do maneirismo. Aí eu alcançaria o céu, aquele mesmo onde jazem a multidão dos poetas, dos escritores e filósofos; o céu de Fédon ou aquele céu amoroso pairando sobre a mesa do “Banquete” platônico. Talvez sendo difícil eu ainda me farte com as migalhas caídas dos escritores-poetas, dos místicos das palavras, que sobre a mesa da aurífera era barroca, que aportou em terras ignotas do Novo Mundo, misturam em seus caldeirões, ardendo pelo fogo plutônico, as tradições dos dois lados oceânicos. Num ritual pantagruélico, como numa incessante cerimônia antropofágica, devoram todas as letras.
Difícil? Eis aí uma palavra fascinante, tanto mais pelo desafio do que propriamente pela palavra em si. Como dizia o excelente José Lezama Lima: “Somente o difícil é estimulante; somente a resistência que nos desafia é capaz de assestar, suscitar e manter nossa potência de conhecimento, mas, na realidade, o que é o difícil?”
Explico. No intento de compartilhar alguns textos com meus alunos e amigos por esse bendito e maldito espaço cibernético que é a internet, não poucos disseram não entender tudo o que escrevo, outros poucos não entenderem nada. Sem pudor avisaram-me de difícil, de obscuro. Difícil mesmo foi tentar compreender porque acham que eu escrevo difícil. Difícil até agora para mim é saber porque o dicionário à mão é negado. Seria o fetiche de possuir um dicionário, uma Bíblia e uma coleção enciclopédica só para enfeitar a estante da sala? Não me convence que a burrice seja estética, mas ao que parece, alguns símios irmãos ainda olham com prazer estético suas cumbucas.
Antídoto? Quem sabe a inspiração, a motivação suscitada pelos olhos até que se possa chegar a uma conclusão neural? Talvez a solução seja indicar mais um filme, dentre tantos que já indiquei. Mas não é só mais um filme, é um filme deslumbrante, um curta-metragem que vale por um longa: Alumbramentos, o curta premiado de Laine Milan. Assisti duas vezes em uma emissora pública, e duas vezes fiquei alumbrado. São só 20 minutos, mas são 20 minutos parabólicos. Contém o mesmo poder das parábolas escandalosas de Jesus, provoca a mesma reação de vergonha e desconforto que as estorietas de Jesus provocavam. Vergonha e desconforto por não ser aquele menino deslumbrado e apaixonado pelas palavras, por um simples dicionário.
Alumbramentos é ambientado numa comunidade da Ilha de Santa Catarina lá pela década de 40. O roteiro é baseado no conto "A sobrinha da senhora Dodsworth", do escritor catarinense Jair Francisco Hamms. Nele, um menino, Francisco, apaixona-se pelas palavras e descobre o mesmo mundo descoberto por Jorge Luis Borges quando, por suas andanças pelos labirintos de palavras e idéias, descobre a sua biblioteca imaginária, o seu livro universal.
O filme teve sua primeira exibição pública durante o 30° Festival de Gramado, sendo que também foi selecionado para o Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo, Jornada Internacional de Cinema da Bahia, III Festival Latino-Americano de Cine Video e TV de Campo Grande, além do Festival do Rio BR.
Francisco é a metáfora de todos nós, o arquétipo daqueles que desenterram um tesouro escondido onde jamais homem algum pôde achar com a picareta de terceiros. Esse menino consegue unir o tesão sexual pelas palavras, da mesma forma que um adolescente deseja sua primeira namorada, com a reverência religiosa pelas mesmas palavras, exatamente como um beato que reconhece o seu objeto de adoração. Junta numa mesma experiência transcendental o profano e o sagrado, a sexualidade e a religiosidade que emanam das palavras-idéias. Para cada coisa uma palavra, para cada palavra uma coisa. É o logos originário, o engedramento de um universo no ventre de um menino.
Pelo menos se a minha prosa não convence, que o filme interceda por nossa ignorância; tenho certeza que ele cutucará corações e mentes. Se pelo menos não entenderem o que escrevi, que entendam a alma dicionarizada do Chico, os olhos encantados daquele moleque sem pudor com os verbetes.
Enfim, todo texto, toda palavra põe diante de nós um enigma que precisa ser decifrado. Mas também todo conhecimento adquirido por esses mesmos textos e palavras pode nos oferecer uma senda fascinante, de modo que o alumbramento seja nosso companheiro de viagem.
Em vez de escolher a morte da cumbuca, em vez de optar pela insistente e teimosa obsessão pelos textos e palavras fáceis, se é que isso existe, pois depende mais do tipo de leitor do que do tipo de texto, façamos a escolha pelo prazer da leitura.
Diante disso, não me resta outra coisa senão dizer-lhe meu caro leitor, ainda que com uma ponta de receio: “Decifra-me, ou devoro-te”.
06/2003

Demolidor - O homem sem Medo

Demolidor – O homem sem medo

Daredevil - “Demolidor – O homem sem medo” (EUA, 2002, 103 min.)
Elenco: Ben Affleck (Pearl Harbour), Jennifer Garner (Alia), Michael Clarke Duncan (Amargedon e À Espera de um Milagre), Colin Farrell (Minority Report), Joe Pantoliano (Matrix)
Direção: Mark Steven Johnson
Roteiro: Mark Steven Johnson
Produção: Avi Arad, Gary Foster, Stan Lee (criador de “Daredevil” da “Marvel Comics”), Arnon Milchan
Distr. 20th Century Fox


O Demolidor nos quadrinhos
O Demolidor (Daredevil – algo como impetuoso, intrépido, valente) foi criado pelo desenhista Bill Everett (Namor, o Príncipe Submarino) e pelo escritor Stan Lee (Hulk, Quarteto Fantástico, Homem-Aranha e X-Men). Fez sua primeira aparição em 1964 em sua própria revista e, para surpresa dos leitores e diferença em relação a outros heróis, apareceu com fortes contornos humanos e, principalmente, cego. Com o Demolidor, Lee quis reforçar o seu conceito de heróis com problemas pessoais e conflitos internos.
O Demolidor passou toda a década de 60 e a de 70 sem nenhuma grande história, ao ponto de quase desaparecer. Mas foi nas mãos do habilidoso desenhista Frank Miller, em 1978, que o Demolidor ganhou roteiros mais criativos.
“Para elevar o personagem ao panteão da Marvel, Miller notou que era necessário um grande arqui-inimigo. Para isso, extraiu o Rei do Crime, um coadjuvante de quinto escalão do Homem-Aranha, para se tornar o algoz de Demolidor. O desenhista/roteirista também revitalizou outro marginal que era uma nota de rodapé na história da editora: o Assassino Mercenário. Mas, mais importante que tudo, Miller introduziu a personagem Elektra Natchios, uma ninja assassina que, anos antes, havia sido o grande amor de Murdock, enquanto ambos cursavam Direito na Universidade de Columbia” (Marcel Nadale, 2003, http://e-pipoca.ig.com.br/news_zoom.cfm?id=1001).
Em 1982 Miller deixou a revista e reapareceu apenas em 1986, para novamente injetar mais uma dose de humanidade no Demolidor. Dessa vez criou a minissérie “A queda de Murdock”: o Rei do Crime descobre a sua identidade secreta, o que acarreta a sua total decadência. Murdock recebe apoio da Igreja, é acolhido por um grupo de freiras e, entre elas, descobre a sua mãe. Com a ajuda do Capitão América, o Demolidor consegue se vingar do Rei do Crime.

O Demolidor no cinema
No filme a personagem dos quadrinhos recebe uma pitada de síntese biográfica antes de dar seus primeiros socos e ponta-pés.
Matthew Michael Murdock era filho de um pugilista fracassado chamado Jack Murdock. Seu pai o proibiu de brigar, mas mesmo assim passou a treinar às escondidas.
Matt ficou cego depois que tentou salvar um velho que seria atropelado por um caminhão. O velho foi salvo, mas um produto químico radioativo caiu nos olhos de Matt, o que fez com que seus sentidos se tornassem mais aguçados, ganhando um tipo de “radar”. Passou a “enxergar” formas e contornos de acordo com os sons que esbarravam alguma barreira ou objeto, semelhante ao que ocorre com os morcegos.
Depois do acidente conheceu um homem cego chamado Stick, que o treinou nas artes marciais. Em pouco tempo Matt havia se tornado um mestre em lutas.
Para conseguir dinheiro, Jack Murdock, pai de Matt, começou a trabalhar para um criminoso denominado Fixer, que o obrigou a entregar uma luta. Ao ver seu filho na platéia, lutou para vencer. Homens de Fixer na mesma noite o mataram. Daí em diante, Matt transforma-se no Demolidor, seguindo vários pontos em comum com as histórias em quadrinhos desde a condução de Frank Miller.
Quem lê os quadrinhos sabe que o Demolidor sempre preserva a vida dos criminosos que foram presos pela atuação de Murdock, advogado durante o dia. No filme, bem no início, deixa que um criminoso morra violentamente.

O heroísmo: de Gideão ao Demolidor
Defronte às águas de Harode se levantava uma miríade de tendas, dava para contar pelo menos trinta e duas mil almas. A grande batalha era iminente, mas Gideão ainda não havia se decidido com quantos soldados atacaria aqueles malditos midianitas – estavam lá, dormindo, quietos em seu vale da sombra da morte, sem saber que pela manhã estariam todos mortos.
Javé, o Deus que Gideão conhecia como “Senhor dos exércitos” de seu povo, disse a ele: Há soldados demais. Faça descer todos os homens para a fonte de Harode. Aqueles que seguirem o ritual que eu te disser, esses irão contigo para a batalha.
Gideão prontamente obedeceu. Dez mil desceram até as águas, mas apenas trezentos fizeram o que Jeová havia dito a Gideão: “como cães devem lamber as águas, de joelhos devem saciar a sede.”
A batalha foi ganha, heroicamente ganha. Apenas trezentos homens que solenemente seguiram o ritual, excomungaram seus inimigos.

-*-

Perseu se prepara para sua luta mais difícil. Com gestos lentos, cadenciados e quase como em um ritual, veste suas sandálias, abraça seu escudo e empunha firmemente sua espada. Alguns não são objetos próprios, seus. As sandálias aladas ganhou de Hermes, o mensageiro dos deuses. O escudo é da bela Atena, filha de Zeus, deusa das artes úteis e ornamentais. Por isso toda a liturgia, todo o simbolismo que aqueles artefatos suscitam em Perseu.
Num só golpe a espada atravessa o pescoço de um lado ao outro. Finalmente a horrível morte está morta. Aqueles olhos petrificantes e aquela cabeleira de víboras já não mais enfeitiçam.
Morta, Perseu toma a cabeça da Medusa e heroicamente leva em oferta à sua protetora, Atena, que orgulhosa, passeia pelo reino de sua beleza.

-*-

É Novembro de 1941. Madrugada fria e nebulosa. Uma fina neblina encobre jovens que preparam-se num rígido ritual: rezas, roupas-armaduras prontas para a batalha, faixas em redor da cabeça, bebem liturgicamente os últimos goles de suas vidas. Marcham, irredutíveis para seus pássaros-túmulos.
Caem. Caem vertiginosamente gritando “torá, torá, torá!” (tigre, tigre, tigre). Explodem em bolas de fogo que se multiplicam por toda a baia de Pearl Harbour. São “kamikases”, espécie de homens-pássaros, que num ato de extrema coragem, num ato de profundo heroísmo, se transformam em soldados-sacerdotes.

-*-

A noite cai em New York, e um cego, nas trevas de seu apartamento, tateia e veste sua maleável armadura vermelha. Escolhe sua bengala mortal e sai. Saltando entre janelas e parapeitos, espreita os becos e ruelas que infestam a “cozinha do inferno”, aguardando para fazer justiça na próxima curva.
Em meio aos altos sons, fortes fedores e sabores amargos que são emitidos-exalados-experimentados do caldeirão da “cozinha”, Daredevil repete no compasso de seu coração: “eu sou um cara do bem...; eu sou um cara do bem...; eu sou um cara do bem...”.
Imediatamente cai vertiginosamente, abate seu oponente e livra mais uma vítima da injusta violência da “Big Apple”. Mas continua, madrugada adentro, pregando para si mesmo: “eu sou um cara do bem...; eu sou um cara do bem...; eu sou um cara do bem...”.

Humano, demasiado humano
Dizem os “entendidos” que histórias em quadrinhos (HQs) só servem para a fruição. Adaptadas ao cinema então, nem se fale. Heróis de HQs só possuem uma utilidade: diversão e nada mais. Pouca coisa parece real, verossímil. Não há espaço para o humano nem para as reflexões filosóficas ou científicas. Logo, leia e jogue fora, assista e esqueça.
A coisa piora quando se percebe que tanto as HQs quanto o cinema são mídias de massa, que, fetichizadas, vendem como nunca. Não é a toa, portanto, que filmes do tipo “Homem-Aranha” e “O Demolidor” bateram recordes de bilheteria nas primeiras semanas de estréia.
Porém, contornando os ataques repentinos de ascetismo e purismo dos críticos sociais, que acham que toda cultura pop não vale nada e, “atropelando” os utilitaristas de plantão, que não enxergam mais do que um palmo diante do nariz, não por cegueira, mas por ignorância, pode-se perceber que algo mudou. A linguagem mudou.
Outrora os heróis eram impassíveis, poucos ou quase nenhum ponto fraco, capazes de virar o planeta de pernas para o ar ao realizarem seus feitos, eram justiceiros universais, transformados, musculosos, armas poderosas e, principalmente, nada humanos. Quer dizer, pelo menos internamente. Fora, externamente, até podiam ter a aparência de seres terrestres, mas dentro..., nem um pouco daquelas coisas que nos fazem realmente humanos: medo, crises existenciais, paixão, arrependimento, paradoxos. Quase deuses, não precisavam sentir, só precisavam de um bom inimigo, de um oponente a altura.
Foi a “Marvel Comics”, uma das maiores empresas produtoras de HQs de heróis, junto com Stan Lee (Homem-Aranha) e Frank Miller (Batman), que mudaram esse cenário. Empreenderam a tarefa de criar heróis cada vez “menos poderosos” e cada vez “mais humanos”. Não foi difícil. Bastou acrescentar os ingredientes que fazem um ser humano ser humano, e colocá-lo em cenários fac-símiles dos nossos reais.
O cinema não ficou atrás. Percebendo que a linguagem deu certo nas HQs, adaptou-a às telas, criando assim a era dos filmes de heróis em quadrinhos. Claro que já tivemos outros heróis em cena, mas nada que se compare às técnicas utilizadas nas histórias modernas. Apesar da tecnologia e dos efeitos especiais, sem o que seria impossível conceber esses “arrasa quarteirões”, os roteiristas e diretores não desprezaram uma construção narrativa por detrás do herói, sempre levando em conta o seu lado humano.
Obviamente não podemos ainda esperar muito dos diálogos em meio à porradas e pancadarias, mortes e praguejos. Mas não há dúvida, são heróis profundamente humanos, com medos, crises e..., pasmem, dor de barriga.
Isso significa que não são só os heróis da Bíblia, da antiga Grécia ou do mundo moderno que sangram, preparam-se para a morte, para a batalha e, muitas vezes, tremem de medo. Os heróis das HQs também. De alguma forma revelam os nossos próprios medos, crises existenciais, dúvidas, paradoxos e paixões. Afinal, quem de nós não sonhou com a oportunidade de ser herói algum dia? Atire a primeira pedra quem não pensou alguma vez fazer justiça se tivesse super-poderes, ou vá lá, pelo menos umas habilidades extraordinárias. Mesmo assim, semelhante a esses heróis, continuamos nos questionando de onde viemos, para que servimos, para onde vamos etc.
O que você faria se precisasse escolher entre salvar dez pessoas ou mil? Ou quem sabe, entre ficar com o emprego atual ou mudar para outro? Pois é com questões éticas como essas que esses heróis lidam. Seja na superdimensão do heroísmo, seja na manutenção de um simples relacionamento com a noiva, eles se parecem muito conosco. Às vezes até, exatamente como nós, sentem mais dificuldades com um relacionamento do que com um ato de heroísmo.
Não por acaso a literatura por séculos elaborou seus gêneros a partir das narrativas que mantém o seu foco principal na personagem, que por sua vez imitou todos os “cacoetes”, hábitos e pensamentos do homem real. Sejam as personagens das antigas mitologias, sejam as realistas, elas carregam uma quantidade enorme de humanidade, exatamente como fazem os modernos heróis.
É claro que a violência assusta, assim como atitudes vingativas por parte de alguns heróis, mas não podemos negar, a linguagem das HQs há mais de meio século tem feito sucesso no imaginário coletivo, assim como a linguagem dos mitos e de seus heróis há muito mais séculos. Nesse caso, violência e vingança não são apanágios somente dos quadrinhos, mas também dos antigos sistemas mitológicos, dos contos de fadas etc.
Aquilo que o nosso insensato racionalismo nega ao púbere, as HQs oferecem em abundância. Do mesmo modo como somos regidos por velhos mitos que simbolizam nossa humanidade e desejos heróicos, as HQs oferecem modernos mitos aos adolescentes. Que diga o RPG (Rolling Playng Game – Jogo de Representação) que tornou-se febre entre os jovens do mundo inteiro. Exatamente de acordo com a linguagem imaginária das HQs, o RPG permite ao indivíduo representar suas mais prementes características humanas, inclusive, resolvendo alguns de seus conflitos internos.
Não vou mentir, está explícito que tenho uma certa fascinação pelos quadrinhos e mais ainda pelo cinema. Além do mais, não escondo que na adolescência meus dois heróis prediletos eram o Homem-Aranha e o Demolidor. Não sabia exatamente a razão disso, mas parece que estou descobrindo, e, pelo que vejo, não só eu. Como dizia David Hume, filósofo escocês empirista do século XVIII: “Nada é mais livre do que a imaginação do homem”.
Para saber mais, recomendo a leitura dos livros de Álvaro de Moya, especialista na linguagem e na história dos quadrinhos.
03/2003